Telegrapho de Hermes – 4 anos
Cumpre-se hoje 4 anos de existência do Telegrapho de Hermes.
Embora menos dinâmico nos últimos tempos, o Telegrapho continua a cumprir a sua missão de informar os seus leitores das novidades filosóficas que vão acontecendo e consideradas de relevantes. De facto, nos últimos tempos, essa missão não tem tido a regularidade de outros tempos, fruto, em primeiro lugar de problemas com a plataforma de blogues “blog.com” que não permitiu por mais de um mês a publicação de qualquer post, e, em segundo, pela ocupação profissional do autor que não tem permitido muito tempo livre para a actualização do blogue.
O Telegrapho surgiu numa altura de democracia digital ainda com algum espaço virgem por explorar. O cidadão comum começava a tomar consciência da capacidade de poder exprimir-se por este meio, sem constrangimentos e com uma liberdade mesmo total. O pouco número de blogues da área da Filosofia justificava e justifica cada vez mais a necessidade de explorar este meio nesta área, pois a Filosofia é talvez a área que está mais intimamente ligada à blogosfera. Longe de ser um espaço de opinião ou de esgrima de argumentos, o Telegrapho designou-se para uma esfera diferente: a mera informação de conteúdos, o mais imparciais possíveis, com o objectivo de dar liberdade ao leitor de reflectir, e, simultaneamente, permitindo uma certa união pela informação dos profissionais da Filosofia em Portugal (e que com o tempo descobri também do Brasil).
4 anos volvidos, o mundo começa a descobrir certas consequências preversas à ingénua atitude de transmitir informação. O jornalismo está em crise, os blogues copiam e colam informação conseguida sem qualquer custo ou mérito próprio. Em resultado, a venda dos jornais decresce, e a essa descida encontramos dificuldades em pagar a bons profissionais para fazerem bom jornalismo. O jornalismo democrático é bom, não haja dúvida, um bom exemplo é o caso das recentes eleições iranianas. Mas o verdadeiro jornalismo deve fazer-se valer por bons profissionais, e isso, nem sempre o comum do cidadão o é. Acredito e defendo que o jornalismo gratuito é insustentável, ao contrário de outras teses mais optimistas (como Chris Anderson por exemplo, editor da Wired – seu blogue: http://www.longtail.com/the_long_tail/), os amadores terão claro um papel importante no jornalismo do futuro: os jornalistas não conseguem estar em todo o lado, e uma fotografia de um simples telemóvel pode valer mais que a fotografia de um profissional se for tirada no momento certo. Contudo, a descida do preço pago por informação acarretará uma perda gradual da qualidade informativa, estilhaçando-se em opiniões vulgares, pouco trabalhadas e mais subjectivizadas. As teorias da conspiração ganharão à verdade pelo seu charme e a informação tendenciosa passará de política e económica para chocante, imediata e de hipocrisia moral.
Assim sendo, o código de conduta a adoptar pelo Telegrapho de Hermes neste contexto será:
1 – Seleccionar fontes com base na credibilidade do orgão comunicativo que transmite a notícia, evitando textos anónimos, amadores e descontextualizados da notícia em causa.
2 - Indicar a fonte e autor da notícia em causa.
3 - Indicar sempre a ligação/link para a fonte original.
4 - Não publicar a totalidade da notícia, mas sim um pequeno excerto (para obrigar o leitor interessado a comprar o jornal em questão ou visitar a página em questão).
Penso ser este um esboço de um código de auto-regulação (importante denotar o “auto” nesta palavra) que os escritores virtuais poderiam engendrar com vontade própria, se tomassem consciência dos perigos que os próprios estão a criar: vivem das notícias, mas contribuem para que estas acabem.
Com mais dinâmica ou com menos dinâmica, o Telegrapho cá estará, a trazer as várias notícias do mundo da Filosofia.
Obrigado por estar desse lado.
Os comentários estão fechados.
Desconhecia este blogue mas assim que li o primeiro texto fiquei cativado.
Concordo com esta chamada de atenção, a proliferação de blogues e sítios da Internet onde, supostamente, podemos adquirir informação é quase endémica. Há que haver rigor no que se escreve, evitar os excessos de subjectivismo, a não ser que se trate de pura crónica e análise pessoa, que se assim for, deve ser bem perceptível.
Contra mim falo, pois também criei um blogue, mas tento apenas limitar-me à divulgação, e somente em casos extremos, por desconhecimento ou ausência de informação, não cito as fontes.
É bom haver quem tenha esta visão abrangente e objectiva como o autor deste texto do telegrafo de Hermes. Devemos saber ouvir os outros e as suas críticas.
Que tal uma formação para criadores de blogues sobre ética, com certificado reconhecido?
Parabéns e continue a fazer esse excelente trabalho!